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Oriundos da Covilhã, de uma vila próxima chamada Tortosendo, chegam os Painted Black, que foram, sem dúvida, uma das melhores surpresas que o Metal nacional me reservou há alguns anos, acompanhando desde então o seu crescimento enquanto banda, fruto de muito esforço e dedicação incondicional. Assim nos chegam «The Neverlight», e «Verbo» duas demos auto-financiadas, que nos apresentam descargas emocionais, no mundo do Doom/Death/Gothic Metal, demonstrando o talento melódico-agressivo da banda. Agora será preciso, a exemplo de muitas outras bandas nacionais de enorme talento, que não passem despercebidos.

É com muito orgulho que vos apresento os Painted Black, conheçam-nos melhor através de dois dos elementos da banda, Luís Fazendeiro e Daniel Lucas.



1- Faz-me uma breve apresentação da banda, fala-nos também um pouco do vosso projecto, da sua génese aos dias de hoje.

Daniel: Boas. A banda tem um passado que remonta a 1998, mas damos 2001 como ano da formação dos Painted Black, pois nessa altura ganhou alguma solidez como banda. No entanto, após esse período aconteceram algumas alterações na formação, e outras dificuldades até ao estado em que nos encontramos agora. Eu e o Luís somos os que estão desde a origem, nas posições de vocalista e guitarrista respectivamente.
A nós juntam-se Telmo, no baixo, Miguel, na guitarra, Rui, na bateria e Aleixo, nas teclas. Foi com esta formação que gravámos o nosso último EP "Verbo".

Luís: De notar também que a banda surgiu como consequência da vontade dos dois em fazer a nossa própria música, e exprimir através de sons e palavras o que nos vai alma. É aquilo que nos vai sempre mover e querer levar isto o mais alto possível.



2 -Cá vai uma pergunta difícil, como descreveriam a vossa sonoridade a quem não vos conhece? E já agora, algumas das vossas muitas influências enquanto músicos.

Daniel: A quem não nos conhece descreveria o nosso som como Metal à partida. Metal dentro das suas vertentes Doom, Gothic e mesmo Death.
Fazemos música dentro dos géneros que mais gostamos e tentamos fazer com que o som de Painted Black seja único e nosso.
Dentro da banda caracterizamos as nossas músicas como tempestades emocionais, devido às variedades de intensidade e ritmo que depositamos em cada uma. É um termo muito lírico para descrever uma sonoridade, mas usamos isso como uma oportuna descrição e não com o intuito de descrever um estilo ou usa-lo como rótulo. Quanto às minhas influências vão muito desde experiências pessoais até inspiração retirada de muita leitura que faço, isto na parte escrita. Vocalmente tenho como grande referência vocalistas como Aaron Stainthorpe (My Dying Bride), Thomas A. G. (Saturnus), Fernando Ribeiro (Moonspell) e Mikael Akerfeldt (Opeth).

Luís: Para completar o que o Daniel disse, diria que para além das influências óbvias dentro do Metal, a nossa música também tem outra faceta mais intimista e atmosférica, que é influência de outros estilos musicais. Rotular o nosso som apenas como Metal, para mim, é algo que não nos define por completo. Para exemplificar estas outras influências musicais posso falar um pouco das minhas principais, que vão desde alguma música clássica, música acústica e como bandas posso referir os Anathema, Katatonia, Opeth, The Eternal, My Dying Bride e Antimatter como as mais fortes. É mais uma questão de feeling do que propriamente os estilos que me atrai mais. Relativamente a referências de guitarristas, influenciam-me mais os bons compositores do que propriamente os mais tecnicistas. Alguns dos que mais admiro são o Daniel Cavanagh (Anathema), Mikael Akerfeldt (Opeth), Mick Moss (Antimatter), Mark Kelson (The Eternal) e Anders Nystrom (Katatonia).



3 - A nível de trabalhos vossos o que têm editado? Em resumo fala-nos um pouco sobre as demos, do artwork, as vossas participações em colectâneas, da experiência em estúdios e como o público as pode adquirir.

Daniel: Temos dois EPs editados, “The Neverlight” de 2005 e “Verbo” que nos chegou às mãos agora em 2007, mas que foi gravado no ano passado. Tanto no anterior como neste novo registo, tentamos inserir músicas que mostrem a variedade sonora que praticamos, e no entanto tentamos ordenar as faixas de forma a criar uma fluidez entre elas. O mesmo se aplica ao artwork. Também o procuramos adequar àquilo que a música transmite, com a utilização de uma imagem que por si consiga induzir as tais mil palavras a quem a vê.

Luís: O artwork para os dois EPs veio todo de uma amiga nossa, Maria Rodrigues, uma excelente fotógrafa e modelo, e o trabalho dela adequa-se perfeitamente como imagem ao som que praticamos: soturno, pesado, mas melódico e intimista. Quanto às colectâneas, participámos em duas: o 1º Volume da compilação da webzine “Opuskulo”, e o 2º volume da iniciativa “Metal Legions” realizada pela editora Dungeon Records, e idealizado pela comunidade do fórum nacional Metal Underground. Para nós foi uma enorme honra, mas sinceramente, não tenho noção do feedback a essas duas compilações. Quanto ao trabalho no estúdio, o “The Neverlight” é composto por temas gravados em diferentes alturas, e como nosso primeiro trabalho, está longe de ser perfeito. Penso que vale muito por ter alguns dos nossos melhores temas, e para alguém que quer conhecer melhor o nosso trabalho, é um registo indispensável. Quanto ao segundo, foi uma experiência muito mais ponderada e realizado com menos ânsia que o anterior. Também foi a primeira vez que assumi o trabalho de mistura, o qual foi realizado com bastante esforço, mas com a ajuda dos meus colegas de banda e do Gil Duarte, o engenheiro de som do estúdio, o resultado final foi mais satisfatório que o do primeiro EP, que era o nosso objectivo. Neste momento estamos a estudar a melhor maneira de disponibilizar ao público o nosso “Verbo”.



4- Em relação ao vosso novo trabalho «Verbo» editado há poucos dias, tem a participação honrosa de Mark Kelson (The Eternal, Insominus Dei, ex-Cryptal Darkness) com foi possível essa interligação, e como está a ser o feedback do público?

Luís: Essa participação do Mark é algo que nunca pensei que acontecesse! É, em todo o sentido da palavra, um sonho tornado realidade. Durante alguns anos “comia” literalmente tudo o que ele criava, fosse no projecto já extinto, Cryptal Darkness, como actualmente nos The Eternal e nos Insomnius Dei. Como tal, entrei em contacto com ele, partilhando a minha admiração pela sua música, e no processo, acabámos por criar uma amizade, que é para mim das melhores coisas que a música me podia dar. Em conversa com ele, o assunto foi falado e ele disse que teria o maior prazer de participar com o que fosse, e nós prontamente aproveitámos a oportunidade, já que ele é apreciador da nossa música. Foi tudo feito graças à maravilhosa tecnologia que é a Internet. Enviei-lhe uma versão ainda crua do tema NightShift, e ele gravou o solo em casa, na Austrália, e enviou-me. Acho que mais fácil impossível. Em relação a feedback do público, penso que o mais significativo vem além fronteiras, de pessoas que conhecem melhor o trabalho do Mark, do que propriamente a nível nacional, mas acho que ainda é demasiado cedo para tirar conclusões.

5 - O facto de residirem na Covilhã tem alguma influência para o vosso anonimato no meio underground nacional?

Daniel: Esse é um de muitos factores e não de todo o mais grave. Todos os membros da banda têm ocupações exteriores à banda. A maior parte de nós trabalha longe da terra Natal e antes estudava longe da terra Natal. Esta condição sempre foi um quanto impeditiva à realização da necessária promoção para surgir no underground, mas fomos fazendo as coisas ao passo que a vida nos foi permitindo e sempre com o mesmo espírito. Nunca nos deixamos ir abaixo pelos acontecimentos negativos que aconteceram ao longo deste anos e de certa maneira tudo de mau foi canalizado da melhor forma que conhecemos, isto é, criando música.
Daí, não acreditar que o facto de residirmos na Covilhã seja o factor mais impeditivo de exposição. Podemos não ter tanto público como o que teríamos se fossemos dos grandes centros, mas aquele que temos é muito bom. Cabe-nos a nós continuar a promover fora da residência, mas tem que ser feito, como disse anteriormente, ao passo que a vida nos permite. Temos ambições, mas também precisamos de trabalhar numa vida normal para levar a cabo essas mesmas ambições.

Luís: Concordo com o Daniel, também não penso que o facto de sermos de uma zona do interior afecte a exposição. Os anos iniciais, em que tivemos várias dificuldades em manter uma formação estável, e a procura, nem sempre com sorte, de um local de ensaio, foi factor para não nos conseguirmos mostrar como desejaríamos. A mentalidade do coitadinho é o nosso pior inimigo, e nós só temos é que nos mexer. Tal como o Daniel disse, temos de trabalhar para nos sustentar, mas conciliamos tudo, porque precisamos realmente da música, e porque é isso que no fim de tudo nos move na vida, esse objectivo comum de ver o que nos reserva o fim da estrada.


6- Em relação a concertos, quais são as reacções do público e as vossas expectativas futuras?

Daniel: As reacções têm sido muito boas. Aos poucos, passo a passo, fomos conseguindo mostrar aquilo que fazemos e a aceitação tem sido, por regra, excelente. Mas ainda há muito por conseguir e que há-de chegar através do nosso empenho em chegar mais longe. Falo certamente, da possibilidade futura de tocarmos nos tais grandes centros que referi anteriormente e não só. Exteriorizarmo-nos da Beira Baixa fisicamente, porque musicalmente já ultrapassámos esta fronteira, mostrando-nos através de outras formas, quer pela Internet, quer pela Rádio. A esperança é que o futuro nos traga mais possibilidades de levarmos Painted Black para fora dos ensaios e cativarmos o público que ainda não nos conhece.

Luís: Realmente até agora as reacções têm sido muito boas e sentimos que temos ganho mais seguidores com cada actuação, o que é óptimo. Também sentimos que, a cada concerto, estamos melhor em palco, e que conseguimos partilhar e exprimir melhor a nossa música e as nossas tempestades emocionais com o público. Isso para nós é o mais importante, conseguirmos criar uma ligação com quem nos vê e ouve.



Em nome da comunidade metal-pt ficam os agradecimentos pela entrevista e os votos sinceros de um percurso promissor na cena nacional, com todo o esforço, a garra e energia, que demonstram.
Querem deixar uma mensagem final a todos que acompanham esta comunidade?


Daniel: Um grande bem-haja a todos dentro da comunidade e pela oportunidade concedida através desta entrevista. Da nossa parte continuaremos o nosso trabalho dentro do Metal, pelo qual temos tanto gosto de criar como temos em escutar.


~prizeofbeauty

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January 28, 2007
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